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Piracicaba, SP, Brazil
Sou casada, tenho um filho, amo viver, adoro trabalhos manuais, música, filmes, antiguidades etc.

sábado, 27 de outubro de 2012

Síndrome das mãos inquietas



O que é que dá na gente quando não temos projeto algum? Tristeza, depressão, vida completamente sem graça, sem foco.
E o que é que dá em algumas pessoas que não podem ficar nunca sem fazer nada? Formigas na cadeira, inquietação... a perpétua sensação de que existe algo que tem que ser feito.
Eu sou desse tipo.
Se descanso, penso no que poderia ter feito. Se faço, penso que poderia ter descansado. Vivo em conflito com o "fazer", como se fosse quase uma obrigação ter sempre que estar na lida.
De um tempo prá cá, decidi dar importância para o não fazer nada. Quando possível, dedico um tempo do dia prá ficar de bobeira, que afinal de contas é um tempo bem investido.
Se a gente fica só na correira do dia-a-dia, mal dá tempo de pensar em certas coisas. E considero pensar tão importante! É uma coisa que dispensa companhia, dar prá ser como um jogo com a gente mesma, e às vezes nos leva a conclusões surpreendentes que teriam passado desapercebidas sem maiores reflexões.
Talvez o meu encanto com a costura seja um reflexo do meu gosto pelo pensar. Como geralmente é um prazer solitário, proporciona altas conversas internas.
Estudo a costura e vou dizendo prá mim mesma "faça aqui primeiro", "olha essa costura torta, menina", "tá ficando show, hein?", "você poderia caprichar mais, sei que você consegue".
E quando já está tudo caminhando bem na costura, sobra muito espaço para outros pensamentos. E vou refletindo sobre o que já me aconteceu, sobre as pessoas, sobre a vida em geral.
E levo a paixão de costureira também para o carro: dei prá fazer hexágonos, que pedem tão poucos materiais, enquanto espero meu filho sair da escola.
O velho estojo escolar abriga os tecidinhos (comprados já cortados em círculos, num brechó:  foi aí que descobri que dá certo transformar círculos em hexágonos), a tesourinha relíquia da pré-escola do filho, agulha, linha e só. A diversão está garantida, as mãos ocupadas e os pensamentos soltos por aí.

4 comentários:

Nina Dias disse...

Rebeca, eu sofro da mesma doença! Tenho a mesmas ansiedades e dilemas, do fazer e do lazer! Tudo vale e faz falta. Detesto ficar à toa mas acho que é necessário, às vezes, saber fazer nada! Olhar as árvores,animais, flores , a paisagem...me veem ideias novas e ânimo pra o fazer.Ao mesmo tempo que o fazer nos faz colocar os pensamentos em ordem, em seu lugar certo e buscar soluções...assim é comigo. Então só nos falta equilibrar essa duas forças...nosso desafio! bjs e lindo domingo! Nina

Márcia Helena disse...

RÊ, sei bem o que é isso! Mas ainda estou na fase de fazer, fazer, fazer, quando meu dia acaba, sento no sofá com pilhas de livros ou computador para ter idéias, quando estou na rua, tem sempre um livro ou revista de moldes, modelagens, o que for me fazendo companhia, mas concordo que um tempo quieta é imprescindível, não se desespere, somos normais, rsrs
bjs e uma ótima semana pra vc.

Beth disse...

Gostei Rebeca! Enquanto espera o filho, vai cortando hexagonos! Já fiz isso também, só que com bordado. Enquanto esperava minha filha sair da escola, ia bordando!

Bjs e bom domingo!

Judy disse...

Mas que bom este desassossego... mãos inquietas e os pensamentos pulando entre as milhares de idéias e projetos imaginários... isto é maravilhoso
Mãos ocupadas e a mente sã.

Também, por muitas vezes, fico me sentindo culpada ao me permitir o "dolce far niente" mas ando me policiando e percebendo que este tempo é necessário e bastante inspirador.

Aproveitar o tempo com o que lhe dá prazer é sábio... muitos e muitos hexágonos!


bj

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