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Sou casada, tenho um filho, amo viver, adoro trabalhos manuais, música, filmes, antiguidades etc.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Estranhamento

    

     Há um tempo atrás, assisti à uma missa no Convento das Carmelitas. Quem celebrou a missa foi nosso bispo e durante seu sermão ele disse algo sobre o qual fiquei pensando: "... é preciso se estranhar as coisas...".
     E fico pensando em quantas coisas vou vivendo sem estranhar, sem reparar, sem refletir.
     Talvez se tivesse mais atenção mudasse algo, aprendesse mais alguma coisa, fizesse a diferença prá mais gente.
     Acontece que o dia a dia corrido é uma máquina esmagadora das reflexões, dos momentos em que se para apenas para pensar.
     Tem momentos que me sinto meio em transe e até meio sonolenta nas coisas rotineiras. É como se eu não estivesse ali, não sentisse na carne o que está rolando.
     E me dá um medo danado de acordar tarde demais.
     Hoje, por exemplo, vi duas mulheres e uma garotinha andando.
     Só a criança reparou no homem que dormia na calçada por onde elas passavam. As duas mulheres nem voltaram suas cabeças, nem estranharam.
     E, Deus do céu, desde quando é normal alguém dormir na calçada??? Quando foi que a gente se acostumou com essa e outras barbaridades???
     Eu gostaria de estranhar mais, de protestar, de fazer algo.
     Mas, sigo embaraçada e constrangida com a sensação de impotência, de correria, de não ter tempo e, principalmente, de medo.

11 comentários:

Primaveril no muro disse...

Olá!
Belo texto!
Profunda reflexão!
Grande abraço

Val disse...

Texto de grande sensibilidade. E é uma grande verdade. Sabe quando noto que não estou a prestar atenção no que está à minha volta, e me assusto? quando chego em casa, depois do trabalho e dou-me conta que não sei que caminho fiz. Tenho que pensar para me lembrar. Dou-me conta que na nossa vida quase tudo é corrido e automático e muitas vezes não se "estranha" nem o feio nem o belo.
Passa-se por ele e é só.
Bjs

Geórgia Moriconi disse...

oi!!! rebeca, acredita que ela está voltando hoje dia 21, chegará aqui de madrugada..rs, bom eu estou torcendo por uns tecidinhos gringos, vamos ver!!! mas eu postar tudoooo que ganhar, rs, bjs.

Claudia disse...

Oi, Rebeca! O entranhamento na minha opinião é um tipo de despertar e todo despertar é um caminho. Tenho algumas amigas que dizem que gosto de filosofar, mas filosofar é preciso pra crescer. Crescer como gente, como cidadão. Se cada um de nós nos constrangêssemos pelo menos uma vez por dia o mundo não estaria na condição que está. Se quiser conversar mais sobre esse assunto me envie um e-mail, ta? Não fica constrangida não... faça alguma coisa em prol de uma pessoa necessitada, isso ajuda muito. Beijos!!! Clau.

O meu pensamento viaja disse...

Deus me ajude a estranhar!
Beijo

M de Maria Ateliê disse...

Oi Rebeca,
Assisti um vídeo que combina com o seu post, esse aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=ruN_LR60ZfQ

A gente se acostuma...
Ontem estava aqui em casa e escutei dois tiros, bem próximos.
Moramos em uma bairro calmo, mas de madrugada, as vezes escutamos tiros bem longe.
Eu comentei 'ih, tiros', mas não corri, gritei,ou me espantei...
Em segundos falei para mim mesma, será que me acostumei?
É hora de pararmos mesmo para refletir sobre o que se torna comum nas nossas vidas.
Esse vídeo é bem legal,não sei se conhece.
Infelizmente, também deixo de ajudar muitas vezes pelo medo...

bjs,ótimo dia!

Obrigada!
Ainda estarei por aqui até o final de agosto, depois férias só no blog.
Amanhã terei post, estou revesando...

Regina Saraiva disse...

Olá Rebeca,

Lindo e "incomodante" o texto. Muitas vezes me sinto assim como você. Acho que somos bombardeados com tanta, mas tanta informações de medo e terror que já nem sabemos distinguir quando é para ter medo ou não, simplesmente sentimos medo de tudo. Medo é um bom sentimento, nos deixa alerta, mas viver sem estado de medo nos paralisa!
Beijos

O meu pensamento viaja disse...

São pecados da Haggen Daz ... pecados mortais!
Beijo

Lylia disse...

Oi Rebeca,
Vim conhecer seu blog e logo me identifiquei com o que você escreveu. Temos realmente que ter um olhar mais atento naquilo que não é normal. Não é bom ficar acostumado. Drummond já dizia que quando se está acostumado não se vê mais nada.
Graças a Deus, com os Exercícios Espirituais de Santo Inácio aprendi a contemplar as coisas com mais vagar.
Voltarei aqui mais vezes.
Bj,
Lylia

Sandra Guadagnin disse...

Rebeca, ainda hoje quase tropecei nas pernas de uma mulher, que estava sentada na calçada, com uma criança no colo. Ela pediu ajuda e repetia como um robô. Ela até que estava bem vestida, mas o tal "medo" me disse para não ceder. Fiquei pensando se deveria acreditar na carência dela. É tão triste, a gente se congela para essas cenas. Educação, precisamos de educação, urgente, para acabar com essas faltas de oportunidades para todos e que nossos filhos não vejam isso no futuro e, se verem, que tenham mais coragem de estender a mão. Estou com vergonha por não saber agir.
Beijos

Rosaria Amorim disse...

Rebeca você me fez refletir sabia? Que lindo e verdadeiro as suas palavras, muito verdadeiro mesmo, nós nos deixamos acostumar com coisas absurdas, e hoje vou passar o dia no hospital (público)como acompanhante de meu sogro que esta internado(idade)e lá com certeza na semana passada estranhei muita coisa e hoje vou de novo, espero não vir de lá muito assustada com as coisas da vida que irei estranhar...BJK

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