Prezada
senhora:
sua
linda casa fica na minha rota de trabalho e por aqui passo
diariamente. Sou uma admiradora de casas antigas e a sua me parece
tão bem cuidada quanto suas orquídeas.
Quanto
zelo! Tem em mim uma admiradora do seu “dedo verde”.
Caso
não seja a senhora quem cuida das plantas, far-me-ia o favor de
cumprimentar quem o faz? No caso de ser a senhora mesma, já percebe
aqui minha alegria em vê-las cuidadas com tanto carinho.
Essa
admiração me fez tomar um gesto atrevido: trago-lhe aqui duas
orquídeas que para mim estão em fase terminal.
Moro
num apartamento e nele não há local propício para que se
desenvolvam (ou fui eu mesma que não soube cuidar delas
adequadamente).
Cheia
de vontade de recuperá-las mas sem saber como, decidi trazê-las
para serem adotadas por quem pode lhes dar o melhor tratamento.
Se
o gesto lhe causar irritação, por favor, me perdoe. Mas, tenho que
lembrar que há casos bem piores: bebês são abandonados em portas
estranhas, gatinhos e cachorros também.
As
plantas que lhe trago nem podem ser comparadas a tais atos, a não
ser por serem também um caso de adoção.
Sei
que os anônimos são covardes e não nego. Não soube tratar bem
destas plantas, fui completamente incompetente e recorro a esta
covardia: deixo-as aqui junto com um bilhete anônimo.
Prefiro
isso à morte (das plantas, claro!).
E
para que não fique totalmente anônima, assino como R,
a fã das suas orquídeas.
Bom
dia!!!!
R.
(a primeira carta anônima a gente nunca esquece...)

