Dizem que de boas intenções o inferno está cheio. Quase acredito.
No final de semana resolvi dar uma destrancada em casa. Arrumei os lençóis e as toalhas separando alguns para doação.
Limpei os armários da cozinha e separei vários itens para dar.
Parti, na segunda-feira, com o porta-malas lotado de doações e juro que me senti pura no trajeto até o bazar.
Cheguei calma e fui descendo as coisas, me sentindo normal e boa.
Ajudei a arrumar as doações, cumprimentei as pessoas. Tudo na santa paz.
Confesso que olhei com certo desdém para umas mulheres que olhavam alucinadas uns quadros. "Já passei dessa fase", pensei. Por via das dúvidas, entrei no bolo e fui checar: nada que valesse a pena, graças a Deus!
Confesso que olhei com certo desdém para umas mulheres que olhavam alucinadas uns quadros. "Já passei dessa fase", pensei. Por via das dúvidas, entrei no bolo e fui checar: nada que valesse a pena, graças a Deus!
Enfim, tudo ajeitado e me sentindo quase uma voluntária (o bazar é de uma casa de idosos), fui dar uma última voltinha.
Céus! O que um corredor de bazar pode ter! Dei de cara com essas duas luminárias estilo Panthella, lindas, brancas, em perfeitíssimo estado.
Não houve estado de espírito que me fizesse parar de tremer as pernas. Fui em estado vertiginoso até o balcão perguntar o preço: R$ 25,00 cada! "- São minhas!" disse com a voz um pouco alterada pela emoção.
Saio com uma em cada mão como se fossem troféus olímpicos ("a vencedora em achar coisas legais em bazares e brechós é...).
Abro o porta-malas recém esvaziado e acomodo as duas.
Vou dirigindo feliz com a sorte mas convencida que não sou tão boa assim: a cada doação que faço para os velhinhos faço outras tantas para mim mesma!!!
(Só para constar: as luminárias Panthella foram criadas em 1971 por Verner Panthon. São ementos clássicos da decoração dessa década. Depois das originais, brancas, vieram em cores variadas mas as únicas que continuam sendo feitas até hoje são as brancas).
