Hoje meu único filho faz 18 anos.
Para mim, é uma data diferente, muito especial.
Tenho um pouco a sensação de dever cumprido, embora saiba que a educação dele não termina aqui, nem meu suporte de mãe acabou, nada disso.
Acontece que agora ele já é um homem, quase um adulto mesmo. Repenso meu papel e relembro das tantas coisas que passamos juntos.
Quando ele nasceu, tive a nítida impressão que se abria em mim uma ferida que nunca cicatrizaria.
Porque dali por diante tudo que ele sofresse eu sofreria em dobro, todas as dores dele ecoariam em mim.
E decidi lhe fornecer lembranças.
Desde seu primeiro aniversário lhe escrevo cartas. Vou lhe contando coisas sobre ele, sobre os familiares e sobre nós, seus pais.
E fui lhe dizendo das brincadeiras favoritas, dos amigos, das músicas que ele gostava de ouvir naquele ano.
Dos álbuns de figurinhas, dos pequenos bonecos que ele guarda até hoje, dos passeios.
Fui lhe dizendo coisas do ponto de vista de mãe. Contando-lhe o efeito que a maternidade teve sobre mim.
Penso que aprendi muito mais do que ensinei.
Aprendi a analisar cocô de bebê, interpretar choros, a serventia de tantos remédios comum à primeira infância. Aprendi a ter paciência e a olhar o outro como filho de alguém. Aliás, eu redescobri o outro! Foi impressionante!
Percebi que era chegada a hora de contar histórias antes dele dormir, eu que era apenas a ouvinte das histórias da minha vó Isabel!
Reaprendi a brincar, a assistir desenho, a ler gibis...
Aprendi a tratar joelho ralado, dor de garganta, briga de escola.
E conheci tanta banda boa, tanta música legal. Ele me apresentou aos "Mutantes", pode? Quando eles existiam, eu era muito pequena. Quandro cresci, nunca fui atrás de conhecê-los.
E agora, passados tantos anos, o Lucas me vem com músicas fantásticas deles!!! E me ensina de novo e sempre...
É incrível como ter filho rejuvenesce! Você revive tudo num outro tempo, vendo a vida por outro ângulo.
E amando como nunca achou possível amar...