O que eu, de família absolutamente normal, nem mais nem menos, poderia ter de herdeira de joalheria?
Anéis e correntes de ouro, pedras preciosas, relógios valiosos?
Nada disso. A parte que me coube foi a grade que ilustra esta postagem e fazia parte dos adornos do antigo prédio da Gatti, tradicional relojoaria e joalheira da minha cidade.
Quando esse prédio foi demolido, para mim foi uma triste surpresa. E ali, parada, observando os pedreiros executarem impiedoso trabalho, colocando abaixo parte da história piracicabana, tive a ideia de levar uma "pequena" recordação.
Uma das grades que enfeitavam as portas, repousava no chão, triste e menosprezada, empoeirada e quieta, à espera do caminhão do ferro velho. As outras já tinham partido, apenas essa não coube na carroceria e ficou ali, sozinha.
Pedi aos pedreiros que me cedessem a grade. "Você quer essa grade???" "Queeeeero!!!" "Pode levar, moça".
E cadê que eu consegui carregar a grade sozinha? Corri ao meu trabalho a poucas quadras dali e convenci dois amigos a me ajudarem.
Voltamos à demolição, de onde saímos os três carregando a grade por uma das ruas mais movimentadas da cidade.
Claro que as pessoas nos olhavam, tentando interpretar a situação.
Hoje, a grade enfeita meu escritório. Linda, simpática e muito querida, fez de mim uma inesperada e imprevisível herdeira.
Quem disse que eu não chegava lá? (onde quer que seja esse lá...)

