Quem sou eu
- Rebeca
- Piracicaba, SP, Brazil
- Sou casada, tenho um filho, amo viver, adoro trabalhos manuais, música, filmes, antiguidades etc.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2015
terça-feira, 22 de dezembro de 2015
Magia
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| Flores colhidas pela rua num vaso querido presenteado pela minha mãe |
Meus olhos foram se esgarçando com o uso.
Com o tempo, vieram nuvens suaves que, ao se instalarem, viraram cinzentos obstáculos.
Se antes, o brilho da juventude refletia dos meus olhos para fora intensa luz, agora um fraco farolete me conduz.
E, tento tateando, ver o que eu via, ouvir o que me encantava, sentir o que eu sentia...
Mas, pobre condutora de mim mesma, sigo às cegas por um caminho tão óbvio quanto inesperado: envelheço.
E, se as sensações já não são as mesmas, que dizer dos meus olhos? Onde está toda a magia que a vida me prometia?
Viro ansiosa e tenho claro: a magia me desperta toda manhã com o cheiro do café que meu amor prepara.
Ouço claramente a magia no girar das chaves quando meu filho, meu amado filho, chega são e salvo nas madrugadas.
Percebo algo realmente mágico acontecendo quando as flores do jardim se abrem e pássaros de toda sorte vêem passear entre elas.
Há um encantamento misterioso no som das patinhas da Mafalda correndo para me encontrar. A cada lambida sinto: algo mágico me toca e aquece.
Sob os lençóis, quando a noite escorre lá fora, toco enlevada com meus pés os pés queridos que dormem ao meu lado.
Percebo então que, agora enxergo melhor que nunca.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
Sino dos ventos de canequinhas
Prá começo de conversa, as fotos não lhe fazem justiça.
Sem querer parecer arrogante (tenho horror a esse atributo triste), este sino dos ventos ficou bem mais gracioso pessoalmente.
A ideia começou a tomar forma pelo fato que eu queria porque queria ter várias canequinhas de ágata.
Só que, para tomar o café, sinceramente, não me são confortáveis. Talvez pela mão grande, as pequenas asas não me encaixam bem nos dedos e para lhe segurar pelo "corpinho" não dá: o café lhe aquece demais.
O que fazer então com esses belezuras? Um sino dos ventos! Ao levá-las na sacola da loja para casa, seu tilintar era tão agradável que me veio a inspiração.
A princípio, um bule vermelho seria o suporte superior. Porém, depois de pesquisas de preços, vi que a brincadeira não sairia tão barata e me daria dó furar o bulinho.
Um vasinho esmaltado de vermelho resolveu a questão.
E acumuladora que é acumuladora sempre tem material de artesanato guardado para "emergências", usei contas de vidro coloridas para dar mais charme e alegria. Impossível notar nas fotos mas, a cada conta de vidro uma miçanga vermelha lhe faz companhia, em cima e em baixo.
Foi uma ideia deliciosa de por em prática!
segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
Os lençóis das minhas avós
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| Arranjos que fiz recolhendo plantas ou matos na rua |
Uma das coisas que mais me faz lembrar meus tempos de criança são alguns cheiros.
Quando eu dormia na casa de qualquer
uma das minhas avós, lembro perfeitamente do cheiro da roupa de cama. Não era
um cheiro de sabão, muito menos de amaciante ou perfume. Era um cheiro
indecifrável e muito agradável.
Cheiro de roupa limpa guardada
nos armários das avós. Cheiro de roupa de cama que embalava e descansava nosso
corpo cansado das brincadeiras. Cheiro da vó por perto.
Minha avó Isabel era viúva, então
quando “pousava” lá, dividíamos a cama dela de casal. E adormecíamos de mãos
dadas.
Os colchões da casa dela eram de
capim seco, o que provocava barulhinhos a cada virada na cama. Mas isso não
abalava em nada meu sono; tenho até saudades desses estalos. Saudades também de
ouvi-la rezando o terço diário: ela murmurando as orações, que nem eram feitas
em voz alta nem em sussurros. Eram mesmo uma espécie de mantra murmurado.
Já minha outra avó, a Ermelinda
(adoro esse nome!), tinha meu vô Mário. Então, quando algum dos netos dormia
por lá, ocupávamos o quarto que tinha sido do meu tio Sérgio, um cara barbudo
que mudou para São Paulo nos deixando meio “órfãos” de tio. Mas, cada visita sua nos trazia um pouco da
cidade grande, um pouco das novidades que vinham em suas roupas, seus sapatos,
seu jeito de falar e de ver a vida.
Embora não fosse a cama da vó, os
lençóis tinham o mesmo cheiro gostoso, aquele perfume das coisas verdadeiras,
dos afetos genuínos, do bem querer e do bem-estar.
E era gostoso acordar de manhã e estar num lugar diferente
da nossa casa, do nosso quarto.
Estávamos num lugar seguro, cheio de amor e que nos
assegurava um sentimento grande de família. Coisa não tão fácil de achar,
naqueles tempos...
Obs.: Andei meio afastada do blog por conta de uma paixão recente: o Instagram.
À todas as boas amigas que por aqui passarem, convido a "frequentar" meu insta: @dandolinhas. Será muito gostoso também poder frequentá-las. E, se por acaso alguma ainda não tem, recomendo viva e entusiasticamente. É a nossa cara!
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